O “pensar global, agir local” em prática

Depois de alguns meses de discussão e preparação, um conjunto de pessoas da Assembleia Popular da Graça e Arredores e do grupo de Transição Anjos-Graça decidiu envolver-se no projecto chamado Coletivo de Apoio à Agricultura Sustentável (Community Supported Agriculture) promovido e dinamizado pelo “Projecto 270” na Costa da Caparica. No fim de semana de 9 e 10 de Junho 2012 este grupo juntou-se aos responsáveis do projecto para avançar no processo.
Quais são as características e os objetivos deste projecto?

Para combater a crise: a soberania alimentar

Somos um grupo de 12 núcleos familiares cada um com características diferentes. A partir de Setembro, iremos receber semanalmente legumes biológicos produzidos pelo Projecto 270: a ideia na qual investimos é a de participarmos em todo o processo, a partir das escolhas das sementeiras até ao produto final da nossa alimentação, segundo uma lógica de participação direta, consciente, ativa e de abatimento dos custos para produtos melhores, do que aqueles que se encontram no mercado convencional. A interação direta entre nós “consumidores” e os “produtores”, elimina desde o princípio os custos de intermediação e o dinheiro investido terá o também o objetivo de apoiar projetos locais de agricultura biológica e sustentável, e não continuar a enriquecer proprietários e distribuidores das grandes superfícies.
O objectivo deste nosso encontro foi o de decidir os produtos que queríamos cultivar, as qualidades e quantidades, dependendo das exigências de cada núcleo familiar, das sementes disponíveis, da sazonalidade dos produtos e das características do terreno agrícola. Não haverá assim gasto inútil, porque só será produzido o que for preciso e localmente.

Apoiar uma agricultura que respeita o ambiente e os humanos

De facto só 23 km (ou 18 km de bicicleta) distanciam Lisboa (e os bairros onde moramos), do lugar de produção na Costa da Caparica. Esta distância, contrasta com os milhares de quilómetros que percorrem os produtos convencionais para chegarem aos supermercados da cidade. Além disso, o Projecto 270 produz legumes de forma biológica, biodinâmica e a partir de sementes livres.
O aspeto local do Projeto, não tem só a ver com questões relacionadas com o ambiente, mas também com a possibilidade de conhecer diretamente os produtores e visitá-los cada vez que queremos, partilhar e dinamizar com eles o trabalho que está a ser desenvolvido. Assim de alguma forma, estamos a favorecer uma relação humana sustentável e não de exploração, ou de mero consumo como acontece sistematicamente na agricultura intensiva de onde vêm a maioria dos produtos vendidos nos supermercados europeus. É o verdadeiro comércio sustentável, não são precisas marcas, basta só ver com os nossos olhos e participar.

Uma maneira de manter interações sociais e promover a autogestão

Esta interação e colaboração direta que estamos a promover, é uma forma de solidariedade em dois sentidos: por um lado, os cidadãos apoiam um produtor local que pratica uma agricultura sustentável e livre de químicos, e por outro lado, o agricultor fornece comida a estes cidadãos “urbanos” apoiando a sua soberania alimentar. O pagamento acordado é pago antes do início de cada sementeira e permite partilhar os riscos inerentes à agricultura. Assim pretendemos, manter uma relação estreita entre o ambiente rural e o urbano para nos aproximarmos do conceito e da prática da soberania alimentar e para resistirmos à mercantilização dos bens essenciais, como a alimentação.
Por isso, esta iniciativa é também um ato político de luta contra o sistema dominante que pretende reduzir-nos a simples consumidores. De facto, mostramos aqui que com processo de autogestão e cumplicidade cidadã, podemos decidir a nossa alimentação, como e por quem vai ser produzida.

Esta entrada foi publicada em Actividades. ligação permanente.

3 respostas a O “pensar global, agir local” em prática

  1. Manuel diz:

    Isto é apenas uma informação sobre o ato de um núcleo de 12 famílias ou é possível o núcleo alargar-se com os mesmos agricultores?

    • Lou Nénarel diz:

      Neste momento, para não comprometer a sustentabilidade do projecto, não é possível ampliar o grupo antes do fim do inverno. De qualquer maneira, como o nosso interesse é também o de promover a auto-gestão entre pessoas e apoiar qualquer outra iniciativa que tenha as mesmas características, se existe um outro conjunto de pessoas, ou um grupo que queira avançar neste tipo de projectos, poderíamos ajudar e activar os nossos conhecimentos e rede de produtores locais.

Deixe uma Resposta para Manuel Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s